quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Eu conto primeiro

Eis que lá estava eu. Sim, eu mesmo. Papel sobre a mesa, caneta em punho¹, pronto para escrever um conto. Um não, O conto. Tá bom, vá lá, um conto. Mas um conto para entrar na história. É hoje que eu mostro pra esse tal de João Gilberto, não o baiano, o gaúcho, que eu entendo de literatura. Essa oficina vai pirar! Chegou a hora de provar que eu transbordo talento. Ou que esbanjo mediocridade. Seja o que for, eu estava disposto a fazer. Estava ou estou? Perdi o tempo nessas seis linhas, mas agora vai de “estou” mesmo. Podia começar falando do debate da última aula, e de como duas obras literárias podem mexer com a vida de um ser humano em menos de uma semana. É sempre bom meter um pouco de semiótica, teoria das cores e estruturalismo no meio, porque aí o pessoal vai à loucura com o arsenal de conteúdos. O problema é que se eu errar o pulo vou parecer um completo idiota. Então eu podia falar daquele trecho de um livro que agora não recordo. Aquele que um dos colegas citou, sobre a caixa de Pandora, a esperança e Nietszche, sabe? Maldito nome, será que escrevi certo? Nunca consigo escrever Nietszche corretamente, sempre sai um S no lugar errado, um Z fora de ordem e, às vezes, até mesmo um R maroto entra na jogada! Mas enfim, voltemos ao conto. Por sinal, é mesmo um conto? Isso aqui tá mais pra crônica. Bom, já enrolei até esse pedaço, então eu é que não vou desistir por causa de uma mera questão de nomenclatura. Aliás, o texto é meu, sendo crônica, poesia, bula, conto ou receita culinária, eu posso desistir sim, e acabar quando der na telha! Pronto. Acabei. Já posso ir embora?


¹ “Papel e caneta” foi a figura de linguagem mais hipócrita que já escrevi nos últimos 26 anos, uma vez que escrevi isso no Notebook, enquanto comia torrada sem presunto.

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